quinta-feira, 4 de outubro de 2012


Não era para ser nada.
Era apenas mais um dia.
Mas tinha um quê de especial.
Dia desses que não se espera.
Nem nos sonhos mais distantes.
Mas foi.
Foi um dia.
Inesperado dia.
Dia que não se almeja
Nada a mais.
Dia que não se esquece
Nunca mais.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012


Vida vasta
Em espelhos turvos
De olhos ofuscos
E incertezas primeiras

terça-feira, 25 de setembro de 2012


Pequeninas mãos que tentam Te tocar
Perninhas pequenas que correm pra Te alcançar
Pezinhos que se equilibram pra Te olhar
Na certeza de Te encontrar!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012


No auge da seca
A terra geme
Se contorce
Pesa o ar
Cinza o céu
E se prepara
Pra ela
Somente ela
Tem esse poder
De saciar...
De molhar...

sábado, 8 de setembro de 2012


A porta da verdade estava aberta,

mas só deixava passar meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,

porque a meia pessoa que entrava

só trazia o perfil de meia verdade.

E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil.

E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.

Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus fogos.

Era dividida em metades diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.

Nenhuma das duas era totalmente bela.

E carecia optar.

Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012


EQUILIBRIO II

Nem muito
Nem pouco
Sem demasias
Ou escassezes
Uma fina linha há
Ou serão vales
Que os separam?
Penso que
Nos extremos
Não estás. 

domingo, 2 de setembro de 2012

(Um dos preferidos)

           VI

Tu tens um medo.
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que é sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então será eterno.

(Cecília Meireles)